"Sexo frágil" vence tabus e ganha as ruas

O jornal A Gazeta Esportiva criou a prova feminina, em 1975, em homenagem ao Ano Internacional da Mulher

Prova Feminina


Acervo/Gazeta Press

A alemã Christa Vahlensiec
Acervo/Gazeta Press A portuguesa Rosa Mota

A participação feminina no esporte tem origem na Antiga Grécia e a polêmica sobre a prática esportiva por mulheres é tão antiga quanto os Jogos Olímpicos. O veto ao sexo frágil constava no primeiro ítem do regulamento Olímpico, o qual proibia a presença das mulheres em qualquer modalidade. As mudanças foram lentas e vários séculos se passaram até que elas começassem a conquistar o direito de praticar alguns esportes.

Carmem Oliveira, vencedora em 1995

Carmem Oliveira, vencedora em 1995

Quem recebeu o primeiro ouro olímpico foi a britânica Charlotte Cooper, vencedora nas finais de simples e duplas mistas de tênis nos Jogos de Paris, em 11 de julho de 1900. Somente 28 anos depois, as mulheres estrearam no atletismo, em Amsterdã, na Holanda.

De lá para cá, o número de esportistas vem aumentando cada vez mais e, nessa expansão, o esporte acompanhou a sociedade em geral, recebendo os efeitos das mudanças históricas. Acompanhando a evolução mundial, o jornal A Gazeta Esportiva criou a prova feminina, em 1975, em homenagem ao Ano Internacional da Mulher. O título da pioneira corrida ficou com a alemã Christa Vahlensieck, que cruzou a linha de chegada com o tempo de 28min39s. A catarinense Mara Fuhrman foi a brasileira mais bem colocada na competição, com a quinta colocação. Desta maneira, as estrangeiras dominaram a São Silvestre feminina por 20 anos.

Maior campeã da Corrida de São Silvestre de todos os tempos, a portuguesa Rosa Mota, de corpo franzino e baixa estatura, tem o mérito de colecionar seis vitórias consecutivas, de 81 a 86. Ela é a recordista em número de títulos. Outro destaque da competição é a mexicana Maria Del Carmem. Ela subiu ao pódio três vezes por suas conquistas nos anos de 89, 90 e 92.

A reação brasileira só ocorreu em 1995 com a brasiliense Carmem de Oliveira. Sua vitória, além de trazer o primeiro título ao país, deixou a imagem de seu choro tão logo quando cruzou a linha de chegada guardada na memória dos espectadores.