Alongar é importante, mas não faz
milagre. Segundo o fisioterapeuta Ricardo Takahashi, o trabalho
de alongamento não pode ser encarado como uma certeza de
ausência de lesões durante uma disputa. Contudo, o
cuidado é importante e deve ser valorizado pela sensação
de bem-estar que provoca.
Muitos disputam a São Silvestre
por lazer ou mesmo treinam regularmente, mas não para competir.
Para estes dois casos, o ideal é adotar uma rotina pré
e pós-prova. Mas um estudo científico já comprovou
que apenas o alongamento não previne nenhuma lesão,
alerta Takahashi.
Como os 15 quilômetros da São Silvestre
não são para qualquer sedentário, o ideal é
adotar um programa de treinamento regular antes da prova. Trabalhando
a parte de condicionamento, é interessante incluir uma rotina
de aquecimento e alongamento para treinos e disputas. É
muito melhor aquecer bem antes da prova, afirma o fisioterapeuta,
lembrando o exemplo que os atletas de elite dão. Eles
vão disputar por 40, 50 minutos, mas ficam de 30 minutos
a uma hora aquecendo antes da prova.
Um período razoável de aquecimento
para o participante médio sugerido por Takahashi é
de 15 minutos. Somado à seqüência de alongamento
(ver ilustrações), a preparação pré-prova
adequada seria de 40 minutos.
O mesmo cuidado também deve ser adotado
depois da corrida. O ideal seria que, após a prova,
os corredores fizessem uma trotada, seguida de alongamento e terminassem
com um banho frio em casa, recomenda o especialista. O banho
frio ajuda tanto no relaxamento quanto na recuperação
do desgaste físico.
Sentir um pouco de dor após a prova é
normal. O desconforto recebe o nome de dor tardia e é gerado
por microlesões nos músculos. Essa dor varia
de 24 horas a 72 horas após a prova, explica o fisioterapeuta,
que não aconselha a participação em provas
seguidas, para dar tempo do corpo renovar suas forças.
Assim como preparar o físico, Takahashi
lembra que é fundamental contar com um equipamento adequado
para o desafio. A corrida é um dos esportes que requer aparato
mais simples: camiseta, bermuda, meias e tênis são
os fundamentais. Mas a importância da qualidade destes não
pode ser ignorada.
Na vestimenta, é fundamental optar por
tecidos que facilitem a respiração do corpo. Nos pés,
o cuidado precisa ser ainda maior. O calçado precisa
ser adequado ao tipo de pisada do corredor, garante Takahashi.
Basicamente, existem três tipos de pisada:
pronada (na movimentação do pé, a partir do
calcanhar para a ponta, a rotação é para dentro),
supinada (rotação para fora) e neutra (rotação
para a frente).
Uma maneira de identificar seu tipo de pisada
é analisar o solado de calçados meia-vida. Contudo,
essa avaliação não é 100% exata. O ideal
mesmo, é fazer uma avaliação com auxílio
câmera e computadores. Há ainda sites que apresentam
informações específicas sobre o assunto: www.usp.br/eef/biomecan;
www.soeiro.com.br/corridas; www.runforlife.com.br; www.adidas.com.br
e www.mizuno.com.br
O cuidado com o calçado inclui ainda a
adoção de rodízio dos pares. A borracha
dos tênis sofre deformações e também
precisa de tempo para se recuperar ou você perde a proteção
contra o impacto, explica Takahashi, acrescentando que a vida
útil média de um calçado de corrida é
de 500 quilômetros. O ideal é ter dois ou três
pares para treino e outro, normalmente mais leve, para corrida.
E nada de deixar para estrear o tênis no
dia da prova. O melhor calçado para a disputa é aquele
que já está amaciado e com o qual seus pés
estão acostumados.
O bom tênis de corrida deve ter absorção
de impacto adequada. Opte sempre por um modelo específico
para o esporte, informação que consta nos sites de
fabricantes. Não se deixe levar pela recomendação
de vendedores nem confunda conforto com absorção de
impacto.
Com pés e corpo preparados é
hora de usar a cabeça para passar bem pela prova. Faça
uma boa hidratação antes (começando no dia
anterior), durante e depois da corrida, evite o consumo de bebidas
alcoólicas e cafeína antes da prova e durma o suficiente
na véspera para se sentir bem e descansado no dia da prova.