Casper Libero, uma verdadeira revolução na imprensa

Foto: Arquivo/Gazeta PressEspírito dinâmico e inovação. Essas foram as características que marcaram o jornalista Casper Libero, o criador de um grupo de comunicação pioneiro e arrojado no país. Natural de Bragança Paulista, Interior de São Paulo, onde nasceu a 2 de março de 1889, Casper estudou na tradicional Faculdade de Direito do Largo São Francisco, tendo se formado na turma de 1909. Mas não foi como advogado e, sim, por dedicar sua vida ao jornalismo que ele se tornou célebre.

Logo após a sua formatura, Casper em parceria com Olegário Mariano, Raul Pederneiras, Luiz Peixoto e J. Carlos fundou o jornal "Última Hora", em 1911. Dois anos depois, inaugurou a primeira agência de notícias brasileira, a Agência Americana. Em seguida, ingressou na redação de "O Estado de S. Paulo", tornando-se diretor da sucursal do jornal paulista no Rio de Janeiro, então Capital Federal.

O jornalista também ocupou cargos públicos, sendo procurador da Fazenda Nacional, em Mato Grosso. A experiência, no entanto, durou pouco tempo. Ele acabou abrindo mão do posto para assumir, em 1918, A Gazeta, que se tornou um dos mais importantes e respeitados órgãos de imprensa de São Paulo em sua época. Com ousada visão editorial e de marketing, Casper criou no vespertino uma série de cadernos especializados. O suplemento A Gazeta Esportiva nasceu em 1928, como semanário.

O sucesso foi tanto que, a partir de 1947, tornou-se independente e passou a ser um jornal de circulação diária. Nesse mesmo período, foram instalados alto-falantes na sede do periódico para que a população pudesse acompanhar as transmissões de jogos de futebol. O Vale do Anhangabaú virou uma verdadeira rádio popular.

Lançou ainda A Gazeta Infantil, a primeira publicação jornalística destinada às crianças, A Gazeta Juvenil, A Gazeta Magazine (um caderno literário-cultural, que contou com a colaboração de consagrados escritores do Brasil) e A Gazeta Esportiva Ilustrada, que circulou de 1953 a 1967.

A Gazeta saiu na frente, mais uma vez, quando em 1930, importou uma rotogravura e entrou para a história como o primeiro jornal brasileiro a ser impresso em cores.


Do exílio às novas realizações

Foto: Arquivo/Gazeta PressDurante a Revolução Constitucionalista de 32, Casper Libero participou ativamente do movimento. A Gazeta foi invadida e destruída por simpatizantes de Getúlio Vargas e, ao jornalista, restou o exílio. Casper viajou primeiro para os Estados Unidos e, em seguida, para a França, onde passou cerca de dois anos.

Somente em 1934, Casper retornou ao Brasil e foi indenizado pelo Estado por causa dos danos sofridos pelos ataques à redação. Com o dinheiro, ele construiu, em 1939, o Palácio da Imprensa, o qual abrigou a redação do jornal, arquivo, parque gráfico, administração e um auditório. Em dia com as novas tecnologias, ele inaugurou em março de 43, a Rádio Gazeta, sendo um dos pioneiros no país a lidar com a mídia eletrônica.

Um apaixonado pelo esporte, Casper atuou na direção de A Gazeta Esportiva, promovendo eventos esportivos importantes, como a "Prova Ciclística 9 de Julho" e a "Corrida Internacional de São Silvestre", uma das competições de pedestres mais famosas do mundo. Outras provas também fizeram sucesso, como a Travessia de São Paulo a Nado, disputada no rio Tietê, o torneio de futebol de várzea Cidade de São Paulo e os Jogos Universitários Brasileiros.

Na manhã do dia 27 de agosto de 1943, Casper morreu, aos 54 anos, em um acidente aéreo. O avião da Vasp tentava aterrissar no aeroporto Santos Dumont sob densa cerração, mas se chocou com uma torre da Escola Naval. Após sua morte, o jornalista legou a São Paulo a Fundação Casper Libero, englobando o jornal, rádio e TV Gazeta, fundada em 1970. Mais recentemente, a instituição passou a integrar a rede da Internet.

Em seu testamento, Casper determinou a criação de uma escola de jornalismo, a Faculdade de Comunicação Social Casper Libero, a primeira da América Latina a formar profissionais na área com a experiência adquirida pelo mestre da Comunicação.
 
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