Uma festa nas ruas
de São Paulo
Em meio às comemorações de um novo ano,
o povo de São Paulo aprendeu a conviver com uma
outra festa: a Corrida de São Silvestre. Para
os atletas, o clima e a receptividade do povo
paulistano não poderia ser melhor. Logo cedo,
no dia 31 de dezembro, as ruas da cidade anunciam
o espetáculo, principalmente a av. Paulista, ponto
de chegada e partida de doze mil corredores.
Esse rito se repete há quase oito décadas.
Tudo começou com o
jornalista Cásper Líbero, que se inspirou
numa corrida noturna francesa em que os competidores
carregavam tochas de fogo durante o percurso.
Era o ano de 1924. Depois de assistir ao evento
em Paris, ele não teve dúvidas de trazer o projeto
para São Paulo. À meia-noite de 31 de dezembro
daquele mesmo ano foi disputada a primeira São
Silvestre, que homenageia o Santo do dia.
A participação, contudo, ficou restrita aos homens
e coube a Alfredo
Gomes, atleta do Clube Espéria, escrever
o seu nome na história desta prova como o primeiro
vencedor. Naquela época, as corridas de rua eram
praticadas de forma esporádica no Interior e na
Capital paulista, o que acabou contribuindo decisivamente
para o desenvolvimento do pedestrianismo no Brasil.
Cásper
Líbero era um apaixonado pelo esporte
e, mesmo diante das maiores dificuldades, como
nas edições de 1932 durante a Revolução Constitucionalista,
em que os paulistas lutaram contra outros estados
do país, e em plena II Guerra Mundial, não mediu
esforços para que a prova acontecesse. Quando
veio a falecer, em 1943, a competição já tinha
conquistado os paulistanos e continuou mais viva
ainda.
Até a sua 20ª edição, a São Silvestre era disputada
somente por brasileiros. A partir de 1945,
assumiu caráter internacional
com a presença de convidados do Chile e Uruguai.
Depois disso, correram pela ruas de São Paulo
atletas americanos, europeus, africanos e asiáticos.
Na nova fase, o atletismo nacional saiu-se vitorioso
somente nos dois primeiros anos, quando Sebastião
Monteiro cruzou em primeiro a linha de
chegada.
Quando a ONU instituiu o Ano Internacional da
Mulher, em 1975, o
jornal A Gazeta Esportiva, organizador
da prova e de olho nos acontecimentos mundiais,
instituiu a primeira competição
feminina, que foi realizada em conjunto
com a masculina, mas com a classificação em separado.
A campeã da inédita prova foi a alemã Christa
Valensieck, que voltou para repetir o
feito no ano seguinte.
Diversas alterações ocorreram na estrutura da
São Silvestre a partir de 1989 com o objetivo
de aprimorar o seu nível técnico. Inverteu-se
o sentido do percurso,
separou-se a corrida masculina da feminina dando
maior destaque a ambas e alterou-se o horário
da prova para o período da tarde. Em 1991, o percurso
foi ampliado para 15 mil metros, atendendo às
especificações da Federação Internacional de Atletismo
para poder integrar o calendário de provas de
rua.
A 74ª edição ganhou mais duas novidades: chip
para os corredores de elite e a abertura das duas
pistas da Paulista para a chegada. As mudanças
tiveram o objetivo de preparar a prova para a
virada do século, bem como aumentar o número de
participantes, ambas com sucesso. |